Da Redação
Aos 95 anos, a
britânica Jane Asher segue desafiando limites, expectativas e até mesmo o
tempo. Mãe dedicada, avó de 11 netos, praticante de Tai Chi, pilates e pintura,
ela também é — com enorme orgulho — uma das nadadoras mais premiadas do mundo
em categorias máster. E, apesar das décadas de conquistas, Jane não parece
disposta a deixar as piscinas tão cedo.
Recentemente,
em março de 2026, ela conquistou seu quinto recorde mundial na natação,
reforçando que vitalidade e paixão não têm idade. “Este esporte simplesmente
faz você se sentir bem e mantém você saudável”, disse em entrevista à BBC.
Determinada, ela mantém uma rotina de treinos de quatro sessões semanais e já
mira seu próximo objetivo: superar mais um recorde no campeonato de Budapeste,
na Hungria.
Uma
história de resiliência e amor pela água
A trajetória
esportiva de Jane Asher surpreende por começar tarde e de forma inusitada.
Nascida na antiga Rodésia do Norte (atual Zâmbia), ela passou a infância em um
ambiente onde rios eram repletos de crocodilos e hipopótamos — o que
definitivamente não incentivava a prática da natação. Seu primeiro contato real
com uma piscina só aconteceu aos sete anos, após a família se mudar para
Joanesburgo, na África do Sul.
A ligação com a
água, no entanto, estava em seu sangue. Sua mãe e sua avó nasceram na
Cornualha, região litorânea da Inglaterra famosa pelas suas águas geladas.
“Minha mãe adorava nadar”, relembra Jane. “Levo o amor pela água fria no
sangue.”
Aos 22 anos, já
vivendo no Reino Unido, Jane passou a nadar com mais regularidade, integrando a
equipe de natação da Universidade de Manchester. Após se formar e casar, deixou
de competir, mas seguiu frequentando as piscinas como professora de natação para
crianças.
A virada
aos 40 — e o brilho depois dos 60
Foi ensinando
seus alunos que Jane voltou às competições, quase por acaso. “Alguns tinham
medo. Eu disse: ‘Venham, vamos competir.’ E acabei indo muito bem, mesmo tendo
40 anos”, contou à BBC. O desempenho chamou atenção, e alguém lhe apresentou o
universo das competições máster — voltadas para adultos de várias faixas
etárias.
Mesmo assim,
Jane só iniciou sua carreira competitiva de forma plena na década de 1990, após
a morte do marido. “Antes de morrer, ele me disse: ‘Agora, sim, você vai poder
fazer o que gosta.’” E ela levou o conselho a sério: pouco depois, viajou para
os Estados Unidos e estabeleceu seu primeiro recorde máster.
A partir daí, a
britânica se tornou uma verdadeira força das piscinas. De acordo com a revista Swimming
World, Jane Asher já conquistou medalhas de ouro em campeonatos nacionais
do Reino Unido, França e Holanda, além de ter acumulado 52 recordes mundiais em
quatro categorias diferentes de idade.
"Não
é pelas medalhas"
Apesar dos
números impressionantes, Jane garante que não é movida por pódios. “Não
coleciono mais medalhas porque não tenho onde guardá-las”, brinca. Para ela, o
que verdadeiramente importa é a sensação de bem-estar e a comunidade de
nadadores.
“A natação é um
mundo maravilhoso. Somos uma grande família. Você pode ter 18 ou 90 anos —
basta um minuto e já falamos o mesmo idioma.”
Humilde, ela
até evita ser chamada de inspiração, preferindo acreditar que apenas encoraja
outras pessoas: “Espero que digam: ‘Se ela pode, eu também vou tentar.’”
Um
exemplo vivo de vitalidade
Independente de
títulos ou recordes, Jane Asher simboliza algo maior: a capacidade humana de recomeçar
em qualquer idade, de desafiar o corpo e a mente, e de encontrar alegria em um
propósito. Aos 95 anos, ela não apenas nada — ela flui, inspira, transforma e
prova que a longevidade está diretamente ligada à paixão em movimento.
Em suas
próprias palavras: “Depois de nadar, você sai da água e sente que pode ir a
qualquer parte.”
E ela continua
indo. Sempre.
0 Comentários